terça-feira, 16 de outubro de 2012

Cobaia de serviço para estudos da universidade

Como havia escrito no ultimo post, deitei-me após o almoço naquela cama e caí num sono profundo, fui acordada não sei bem quanto tempo depois por uma enfermeira que informou que a ia acompanhar.
Fui com ela e sinceramente nem noção tenho do caminho que percorri, entrei numa sala cheia de raparigas. E foi apenas nessa altura que a enfermeira me informou que iria ajudá-las com um trabalho. Ao que imediatamente pensei: Não sou um animal em estudo.
Falei com elas e para variar perguntaram-me porque é que tinha tentado o suicídio. novamente eu respondi que não havia um "porquê", era um pensamento que passava aturdido na minha cabeça. Eu tinha de conseguir matar-me porque queria descobrir o que havia depois da morte, porque acreditava que a minha missão estava completa aqui na terra. Disse-lhes isto e elas olharam-me como se eu fosse um extraterrestre. Então percebi que não me iam deixar em paz se não arranjasse um motivo. Eu inventei o motivo. Contei-lhes a história mais esfarrapada sobre estar assim porque a minha vida escolar era difícil, porque na escola era gozada, porque me tratavam mal psicologicamente, o que não deixou de ser uma verdade, no entanto não era o motivo. Acredito que talvez fosse um dos mais pequenos motivos.
Quando eu saí daquela sala a enfermeira disse-me: estiveste muito bem, agora vai para o quarto que em breve chamamos-te para o lanche.

Em fim, este é talvez o post mais pequeno, a parte da história mais suave da minha estadia naquele depósito de gentes.
Retratei este episódio porque acho inadmissível com menos de 24 horas de internamento já ser objecto de estudo para alunas de uma universidade, alunas essas que não me conheciam nem eu conhecia.

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