sexta-feira, 12 de outubro de 2012

a vida com a Bete

Deixei o meu namorado de lado, acreditei que podia ajudar a Bete a ser uma pessoa melhor.
Desde ajudá-la a superar as auto-mutilações, fazer com que ela fosse uma pessoa mais feliz.
Ao inicio ela contou-me umas historias estranhas, desde a situação de que o cunhado a violava, a irmã não acreditava. Contou-me tudo isto através de uma carta que escreveu.
Joguei-me nesta amizade de cabeça, apoiei-a. Cheguei a estar com o meu namorado, receber uma mensagem dela a dizer: "vem depressa", e eu ia.
O meu namorado sempre bastante tolerante. Eu acabara por absorver toda a negatividade dela, chorar com ela e ir-me enterrando. Enquanto ela tomava Prozac para melhorar eu acreditava que era a unica que a podia salvar.
Fui caindo numa escuridão da qual não conseguia sair. E estava a criar um mundo no qual o Cedric não podia entrar.
A Bela, uma amiga que tínhamos em comum sempre me falou disso, sempre me tentou abrir os olhos.
Eu sem dar conta ia acreditando cada vez mais na verdade da Bete. "A MORTE ERA A UNICA SOLUÇÃO".
Comecei a pensar em matar-me, e em diversas formas de o fazer. Comecei por sentir também prazer com a dor, a seguir senti que não chegava, acreditei que não pertencia a este mundo e queria conhecer a morte.
Comecei a pensar em enforcamento. Cheguei a colocar um saco na cabeça fechado, tentar prender as mãos à cama e terminar com a vida que tinha.
Chegava a escola e via em todo o lado por onde a Bete passava a frase: I HATE ME.
O meu namorado não se afastou de mim mas assustava-se comigo.
Um dia como tantos outros cheguei da escola e fui aos medicamentos da minha mãe, tinha decidido, ia morrer, queria suicidar-me como Florbela Espanca, mas acabei mais como no livro do ilustre Paulo Coelho "verónica decide morrer".
Tomei dezenas de comprimidos, escrevi cartas que nunca foram lidas, e toda a noite vomitei... Eu não me recordo disso, mas a verdade é que na manhã seguinte estava um farrapo.
Fui à escola, não me lembro desse dia. Lembro-me apenas de ter acordado no meu quarto com a minha mãe ao lado a dizer-me; -Como podeste fazer-me isto?
eu não tinha resposta, contei-lhe tudo o que se tinha passado, e na tarde do dia seguinte fui à urgencia de psiquiatria.
A médica passou-me medicação e eu voltei para casa. Dormi cerca de 3 dias. Mas não me acertou com a medicação à primeira. Eu não via melhoras, o Cedric estava desesperado e num certo dia pus a mão na consciência e decidi aceitar o internamento que me havia sido proposto na primeira consulta.
Nessa manhã de dia 5 de Junho de 2008 sussurrei ao ouvido do Cedric: Vou-me tratar. Vou ficar boa por ti.
Nessa tarde na consulta fui internada, (toda a história do internamento será contada no próximo post) saí no dia 8 pois os medicos acharam que eu estava belíssima para ir para casa.
Quando sai do hospital a Bete fingia que não me conhecia, o meu irmão, meu ídolo nem uma mensagem a perguntar como estava, e aí eu dei uma volta à minha vida.

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